![]() por Marcelo Firpo links Czar Nihil Galera, o jovem Galera, o velho Martelo M.O. Joe Insanus Bensi Válvula Medina Não irei Prop Livros Organá R.I.P. arquivos novembro 2008 outubro 2008 setembro 2008 agosto 2008 julho 2008 junho 2008 maio 2008 abril 2008 março 2008 fevereiro 2008 janeiro 2008 dezembro 2007 novembro 2007 outubro 2007 setembro 2007 agosto 2007 julho 2007 junho 2007 maio 2007 abril 2007 março 2007 fevereiro 2007 janeiro 2007 dezembro 2006 novembro 2006 outubro 2006 setembro 2006 agosto 2006 julho 2006 junho 2006 maio 2006 abril 2006 março 2006 fevereiro 2006 janeiro 2006 dezembro 2005 novembro 2005 outubro 2005 setembro 2005 agosto 2005 julho 2005 junho 2005 maio 2005 abril 2005 março 2005 categorias ![]() ![]() |
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Ojos rojos Era uma noite tempestuosa. Não, pensando bem, não era, apenas chuviscava. Aproveitando que minha mulher comerciária teria dois dias de folga seguidos, evento deveras ímpar, decidimos passá-los os dois em Montevideo. Pegamos um busão da EGA (Empresas General Artigas, por supuesto) e fomos dormitando ao longo de, sei lá, dez horas de viagem noite adentro. Eu já tinha ido vezes sem conta pra lá, mas minha mulher não, e é sempre bom apresentar um lugar pra alguém. Pela manhã, ainda na estrada, fomos submetidos a um videoempresa que apresentava não apenas a EGA em si, mas também a Dulute, prouded produtora dos alfajores Portezuelo servidos no café da manhã, obviamente uma permuta. Como piece de resistance, salpicados aqui e ali na programação, grandes nomes da música popular local, como Monterrojo e Nietos del Futuro, primos distantes do KLB e do Twister. À medida que fomos chegando, começaram as casinhas, os carros caindo aos pedaços, as pessoas caminhando com minicuias de mate pra lá e pra cá. É tudo tão uruguaio no Uruguai. Achamos um hotel quase bom e barato perto da 18 de Julio e fomos bater perna, primeiro na dita avenida e depois na Ciudad Vieja. Lá encontramos um restaurante bem legal, moderninho sem ser cretino, muito bom e barato. Adequadamente batizado de Estrecho, o restaurante se resumia a um balcão dividindo um longo corredor. De um lado, os cozinheiros; do outro, os comensais. Comi um excelente sanduíche de frango com molho de curry lá, e gostaria de ter provado pelo menos mais uns três pratos. De tardezinha minha mulher não aguentou mais caminhar e foi pro hotel dormir. Eu fui correr na Rambla, uma hora e dez minutos, honrosos dez quilômetros, minha melhor marca registrada até hoje, mais heróica ainda se considerarmos que no trajeto inteiro se respira a terrível fumaça da terrível gasolina uruguaia, muito mais forte que a nossa, talvez por não contar com tanto álcool na mistura. Os preços estavam muito bons, tudo uns 40% mais barato que aqui. Comprei um casaco de lã, um chapéu e um livro com os cuentos completos do Mario Benedetti. Pra terminar - sim, o final já é aqui, gostaria de ter escrito mais e melhor, mas o dever chama - uma observação que replica um post prévio do Bruno (e replicar aqui tem o sentido de reproduzir, não de responder): os uruguaios passam uma dignidade muito massa. Estão fodidos, o país não tem indústria, não tem empregos, os jovens precisam emigrar, mas todos tocam a vida com um estoicismo invejável. Tu tá num ônibus, entra um tiozinho com um violão, começa a tocar maravilhosamente bem uma milonga qualquer e tu não consegue sentir pena dele estar ali mendigando, porque ele simplesmente não te dá esse direito. Assim que os meus olhos e pulmões se recuperarem, voltarei. Isso deve levar uns dez anos. 22/09/2005 10:12 | Comentários (7) | TrackBack (0) |