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Era tema recorrente do tio Nelson a idéia de que o brasileiro é um CANALHA por natureza. Mas isso dizia respeito às relações amorosas. Paulo Francis ampliou o conceito, dizendo que o maior traço de mau caratismo pode ser visto quando alguém liga para o seu telefone e, mal ouvindo o alô, pergunta quem está falando. Coloco no mesmo saco as pessoas que gostam de aparecer sem avisar. O final de semana veio a confirmar que estamos aqui cercados de vários outros tipos de CANALHAS. Começou comigo tendo que recolher, no sábado de manhã, o lixo seco caído das sacolas estraçalhadas pelos catadores que passam de madrugada para se antecipar aos caminhões da prefeitura e não têm o menor cuidado ao procurar o que lhes interessa. Qualquer solidariedade minha quanto à pobreza dos caras se esvanece diante do raciocínio desta relação, minha e deles: sou só um "playboy" que, por ter onde morar, o que consumir, etc, tem mais é que se ferrar limpando a calçada com a sujeira que fazem. Tão CANALHAS que não conseguem ver que o lixo só está lá para eles porque o separei, guardei uma semana inteira e ainda esperei a madrugada para colocá-lo para fora. E que continuo fazendo isso mesmo quando eles emporcalham tudo. Isso talvez explique, mas não justifica que seja eu o único a separar lixo numa rua inteira. Duas quadras e a única calçada com lixo seco sempre é a minha. A CANALHICE da vizinhança é aquela que faz pensar ser possível produzir dez sacolas de lixo por semana e simplesmente mandar isso para um depósito sem querer nem saber o que vai acontecer depois. Mas a CANALHA maior do bairro está na Companhia Zaffari SA, responsável por uma obra que desde a primeira semana de janeiro tornou um inferno este pedaço do Bom Fim. A dita obra ocorre com britadeiras ligadas desde antes das sete da manhã e é causa de outras atitudes absurdas. Até a semana passada na porta do meu prédio havia um trailer onde MORAVAM dois operários do Zaffari. Eu acordava, abria a janela e via os dois sujeitos olhando na minha direção. O supermercado, é claro, não quis colocar o trailer diante da própria porta, onde disputaria espaço com os caminhões de entrega. Esta mesma obra torna a rua um lamaçal e entupiu os esgotos do prédio ao lado. O vizinho me contou que a água se acumula dentro do banheiro dele e só muito lentamente escorre pelo ralo. Como se não bastasse isso tudo, faltou luz no prédio o domingo todo. Era o único da rua sem luz. Depois de passar o dia reclamando, descubro que tudo ocorre porque, a pedido do Zaffari, a CEEE, numa CANALHICE ESTATAL, aceitou retirar o poste de perto da obra, colocando-o ao lado do meu prédio. Nessa operação foi rompido o cabo subterrâneo de energia, que está dentro de um buraco alagado. Uma obra desnecessária e que além de tudo joga dinheiro público fora me causou todo esse transtorno. Sem contar que a colocação do dito poste, na sexta-feira, foi feita de madrugada, com um barulho infernal que acordou toda a rua. E por que a colocação foi feita de madrugada? Para não atrapalhar a obra do Zaffari. O Zaffari faz tudo isso não apenas por seus responsáveis serem uns CANALHAS que desprezam qualquer incômodo, por pior que seja, que venham a causar aos moradores. O raciocínio é que a vizinhança é tão idiota que não vai se lembrar de nada quando o supermercado ficar pronto. Que não passam de uns consumidores deslumbrados. E não é que é isso mesmo? Todas as conversas que tenho na fila despreza qualquer opinião contrária em nome de "tem é que lembrar como vai ficar bom esse supermercado". O mesmo é o que se lê nos jornais do bairro, que a cada edição elogiam a "modernização" do Bom Fim. No meu papel de cidadão, ainda acionei a prefeitura. Me informaram que agora é assim. Mesmo fazendo barulho fora do horário, mesmo entupindo os bueiros, mesmo tornando a rua um camping de trailers, não se incomoda mais o empresariado. O negócio é a boa convivência, não querem de volta as reclamações que se fazia do PT. Também uns CANALHAS. # alexandre rodrigues | 16 de maio Comentários (8) | TrackBack (0) |
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