
atentado à liberdade na internet
Publiquei na Nova Corja um artigo a respeito do substitutivo de vários projetos de lei que tentam regular o uso da Internet, aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado semana passada. O projeto é um absurdo capitaneado pelo senador tucano Eduardo Azeredo, mais conhecido por ser um dos fundadores do Valerioduto.
27 de junho de 2008, 22:05 | Comentários (0)
entrevista na tvcomTúlio Milman é um sujeito boa-praça.
A Tânia Carvalho arrasa em todos os sentidos. Admirei.
23 de junho de 2008, 23:33 | Comentários (9)
troque seu carro por um investimentoHá algumas semanas eu defendia na Nova Corja que os moradores da zona central de Porto Alegre abandonassem seus automóveis em favor do transporte público, como forma de desafogar as ruas da cidade e ainda poupar dinheiro. Eis que o leitor Gabriel Britto levou a sério a sugestão. O relato do homem:
Já estou há um mês e meio sem carro (foi roubado em um seqüestro-relâmpago, lembra?) e anotando todos os meus gastos com transporte. Às vezes pego ônibus e lotações para ir a alguns lugares, às vezes arranjo uma carona, mas na maioria das vezes vou de táxi. Não tenho me privado de nada por não ter carro. Me obrigo a agir da mesma forma que seria se tivesse um carango. Se tiver que sair do Centro pra ir no Big da Sertório, pego um táxi e vou. Claro que estou tendo que me adaptar um pouco porque as coisas não podem mais ser imediatas como eram. Antes eu saía do prédio e meu carro tava lá me esperando. Hoje eu tenho que ligar pro táxi e esperar que ele chegue, ou tenho que caminhar algumas quadras pra chegar na lotação/ônibus. Também tive que comprar um guarda-chuva, porque tenho que andar mais e preciso estar preparado. Mas no fim das contas, tô gostando e tá valendo a pena. Olha só:- Com carro, meu gasto médio mensal ficava em 514 reais por mês (IPVA, seguro, gasolina e flanelinhas).
- Com táxi/ônibus/lotação, meu gasto tá girando ao redor de 650.
- Porém, o dinheiro do carro aplicado numa poupança vai me render, no mínimo, 220 por mês (0,5%). E mais ainda se eu aplicar em fundos diferentes.
Sem contar a desvalorização do carro, que no meu caso ficou na média de 230 reais por mês
Como tu pode ver, dependendo do esilo de vida da pessoa, ter um carro é realmente perder dinheiro. Mas, no meu caso, tô achando ótimo. Pesando todas as vantagens e desvantagens de ser um desmotorizado, tô preferindo continuar assim. Não me estresso no trânsito (e tu não tem idéia de como eu me estressava em qualquer saída rápida), não me exponho a seqüestros-relâmpagos (pelo menos enquanto não começarem a abordar as pessoas na rua, enfiarem elas para dentro de um carro e seguir o roteiro de sempre) e ainda ganho dinheiro.
Ah, sobre o transporte público de POA, continuo com a mesma opinião: é uma merda. Vivo perdido tentando descobrir qual ônibus me leva pra qual lugar e já peguei alguns coletivos errados. Mas ainda assim acho que vale a pena.
Quando escrevi o primeiro artigo, nem me dei conta de que o dinheiro do carro bem investido poderia render o necessário para cobrir uma parte dos custos com táxi. O negócio é ainda melhor do que parecia.
Pessoalmente, pretendo só adquirir um carro no dia em que tiver filhos. Porque daí a vida complica demais.
20 de junho de 2008, 19:09 | Comentários (23)
é nóis na fita!Nesta sexta-feira, às 15:00, participo junto com o Cardoso do programa Falando, da TVCom (canal 36 em Porto Alegre). O tema é novas mídias, blogs, essa coisarada toda que a gente inventou. A jornalista Cássia Zanon, do ClicRBS, também estará entre os entrevistados por Túlio Milman e Tânia Carvalho.
Para quem não puder ver na hora, o programa é transmitido ao vivo na página da emissora e reapresentado pela manhã, às 10:30.
19 de junho de 2008, 20:02 | Comentários (3)
jornalismo-verdade16 de junho de 2008, 14:50 | Comentários (1)
campanha na internet está liberada, ainda bemFinalmente consegui editar a entrevista que fiz via Skype com o Pedro Doria. Está em duas partes e foi originalmente apresentada no seminário Legislação Eleitoral e Internet - a relação da comunicação digital nas próximas eleições municipais. O interessante é que o promotor convidado, Daniel Rubin, concordou que a primeira resposta do TSE à consulta sobre o uso de blogs, redes sociais e quetais, do ministro Ari Pargendler, foi equivocada, porque limitou a presença na rede à página oficial da candidatura. Esperávamos ter um bate-boca violento com um bacharel tacanho, mas encontramos um companheiro no movimento de esclarecer a Justiça brasileira a respeito da Internet.
Considerando que Rubin é o coordenador do setor do Ministério Público gaúcho que vai fiscalizar as eleições, podemos esperar pouca interferência no uso da Web para divulgação das plataformas dos candidatos. De qualquer modo, ontem o TSE rejeitou a consulta, na prática liberando a propaganda na rede a partir de 6 de julho.
Usamos o serviço Ustream para a transmissão ao vivo. Também rolou um minuto-a-minuto no Twitter.
12 de junho de 2008, 15:15 | Comentários (2)
seminário sobre lei eleitoral e internetAmanhã, às 9h, acontece no auditório da Famecos, prédio 7 da PUCRS, o seminário "Legislação Eleitoral e Internet - a relação da comunicação digital nas próximas eleições municipais".
Os convidados são o promotor de justiça Daniel Sperb Rubin, coordenador do Gabinete de Assessoramento Eleitoral do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, e o jornalista e blogueiro Pedro Doria, colunista do caderno Link.
A entrada é franca e, se São Isidoro colaborar, transmitiremos tudo ao vivo pelo site da Cyberfam.
9 de junho de 2008, 14:15 | Comentários (0)
até que ponto a objetividade resulta em equilíbrio?Ao contrário da rapaziada do Diário Gauche, não vejo uma conspiração das elites por trás de cada vírgula dos jornais gaúchos. Se minha visão do noticiário é distorcida, o eixo da distorção é para o lado da condescendência para com os repórteres e editores. A maioria dos equívocos que os leigos costumam atribuir a manipulações são devidos às exigências do próprio processo produtivo do jornalismo diário.
Isso dito, talvez os jornalistas gaúchos pudessem refletir sobre a cobertura da divulgação de gravações comprometedoras realizada pelo vice-governador Paulo Feijó. De sexta-feira para cá, o foco do debate mudou das declarações gravíssimas feitas pelo ex-chefe da Casa Civil, Cézar Busatto, para a inútil discussão sobre o caráter de Feijó. Francamente, as reais intenções do vice-governador não fazem a menor diferença para os fatos expostos por Busatto. O chefe da Casa Civil afirmou existir um esquema de desvio de dinheiro de estatais para financiamento de campanhas políticas desde tempos imemoriais, beneficiando principalmente o PP e o PMDB gaúchos. Ponto. O fato de ele não saber que estava sendo gravado não influi de forma alguma.
Salvo exceções, porém, o que se vê é um festival de bunda-molice na cobertura. Os repórteres -- ou os editores, vá saber -- permitem que os representantes do governo insistam na lenga-lenga de que Feijó foi antiético, imoral, bobo e feio. Dão espaço para factóides criados com a único e exclusivo objetivo de inundar a mídia com a versão do Piratini. Até agora, não se viu uma só frase dando qualquer explicação sobre os fatos graves confiados por Busatto a Feijó, apenas evasivas. O que também não se viu é jornalistas botando Busatto & Companhia contra a parede. Estão aceitando a retórica sem nenhuma crítica.
É preciso ler muito nas entrelinhas para entender o que realmente está se passando. Essa reportagem de Moisés Mendes mostra como existe uma orquestração do Piratini para esvaziar as autodenúncias de Busatto. Essa outra, de Leandro Fontoura, indica que Feijó não estava especialmente mal intencionado a respeito da conversa e que, ao contrário do que vem afirmando o governo, avisou, sim, a respeito da gravação antes de divulgá-la. O problema é que são duas gotas num oceano de uma falsa discussão a respeito da legalidade e da ética de se gravar conversas de servidores públicos.
Isto é, a cobertura está desequilibrada. A imprensa está seguindo tudo o que vem do governo, quando deveria fazer justamente o contrário. É preciso entrevistar mais pessoas de fora, arranjar fontes nas empresas estatais, tentar comprovar as acusações de Busatto e, principalmente, procurar se ater ao ponto principal: o chefe da Casa Civil disse que existem ilicitudes em seu governo durante uma conversa privada em que não sabia estar sendo gravado, ou seja, falando despido de retórica. Em vez disso, temos uma supervalorização desse falso debate sobre a legalidade -- falso até porque juristas já garantiram que Feijó agiu dentro da lei.
Os jornalistas se defenderão dizendo que estão apenas relatando objetivamente os fatos, buscando extirpar o máximo possível os juízos de valor, como se espera deles. Têm razão até certo ponto. O problema é que as gerações atuantes no mundo de hoje já cresceram num ambiente midiatizado e se educaram sobre como a imprensa funciona. Conseqüentemente, aprenderam como criar acontecimentos artificiais. Reportar tais acontecimentos sem questioná-los não é ser objetivo, é ser um mero laranja da desinformação.
Este seria o momento de a imprensa cumprir seu papel mais fundamental, que é explicar o mundo para o cidadão. Tomar posição contra a política feita na base da retórica e do factóide. Deixar bem claro que não aceitaremos ser levados na conversa dessa vez. As denúncias de falcatruas devem ser feitas sob quaisquer circunstâncias, por qualquer pessoa, através de quaisquer meios. O que está em jogo é o fato de os ocupantes do Piratini, Assembléia e Praça Montevideo estarem lá para servir o povo, como representantes do povo, e não para se manterem aferrados ao poder por meios escusos. Esse é o foco a se manter claro durante a cobertura da história. Caso contrário, talvez Marcelo Rech queira refletir sobre o porquê de os jornais serem obrigados a subornar assinantes com badulaques e frescuradas, em vez de serem procurados pelos leitores por sua relevância social.
8 de junho de 2008, 23:16 | Comentários (23)
justiça eleitoral censura manifestação política na webPedro Doria teve um banner de apoio a Gabeira censurado pelo Tribunal Eleitoral do Rio de Janeiro. De início, parecia ser a primeira aplicação da resolução do TSE que proíbe a propaganda política fora do site oficial do candidato -- isto é, Gabeira só poderia usar o www.gabeira.can.br ou www.gabeira.com.br ou coisa que o valha, e não perfis em redes sociais como Orkut, publicação em repositórios de vídeos como YouTube, ou microblogs como o Twitter. Porém, Pedro Doria foi censurado por fazer campanha antes do período determinado pela Justiça Eleitoral.
O caso é grave de um jeito ou de outro, até porque a causa dessa decisão do Judiciário é o mesma da resolução descrita acima: completa ignorância sobre aspectos técnicos e sociais da Internet. O próprio Doria analisou algumas facetas do problema, mas deixou de lado uma discussão sobre como se está entendendo a rede no processo eleitoral brasileiro.
Um blog como o de Pedro Doria é o equivalente à identidade de uma pessoa na Web. No mundo material temos nossos corpos, no mundo virtual temos blogs ou avatares ou perfis em redes sociais. Comum a ambos é a personalidade do indivíduo, ela é o motor dos corpos ou blogs. De modo que apoiar Gabeira com um banner no blog é o mesmo que o blogueiro defender a candidatura do deputado a prefeito do Rio numa mesa de bar, ou andar por aí com uma camiseta da campanha. Como o próprio Doria afirma, se ele tivesse pendurado na janela de casa um cartaz apoiando Gabeira, não teria sido incomodado. Um blog pessoal como o de Doria não é como um outdoor, mas sim como uma janela de casa. Através dele, capturamos alguns instantâneos da vida do autor, inclusive sua orientação política.
Isso significa que, ao proibi-lo de veicular o banner, a Justiça Eleitoral não está retirando uma propaganda indevida da Web, mas sim calando a voz de um cidadão. E a base da democracia é a possibilidade de os cidadãos expressarem sua vontade. Como não se pode fazer assembléias em um país de 180 milhões de habitantes, adotamos o sistema de voto para eleição de representantes. Cada voto representa a voz de um cidadão. Bem antes do voto, porém, há a discussão livre de idéias, a organização em partidos políticos, a deliberação, a elaboração de projetos. O voto é apenas o evento final em um longo processo de interação política de todos os setores da sociedade.
Antes, esse processo de interação social ocorria em chão de fábrica, nos bares, universidades, igrejas e outros locais de encontro da população. Hoje, esse processo se dá também na Web, através de blogs, fóruns, redes sociais, correio eletrônico, mensageiros instantâneos e outras ferramentas e serviços. O equívoco do Judiciário está em confundir o suporte em que os cidadãos veiculam suas opiniões hoje em dia com a mídia tradicional. Blogs podem até ser mídia, mas não são o mesmo tipo de mídia que jornais, revistas, televisão, ou mesmo blogs de funcionários de portais de notícias.
Se acontece de o cidadão Pedro Doria ser também jornalista, seu blog não é necessariamente um webjornal. Há blogs de médicos, advogados, contadores, taxistas. Jornalistas têm direito a uma opinião política como qualquer outro cidadão. Talvez fosse possível argumentar que Doria estivesse fazendo campanha antecipada se ele publicasse seu banner nas páginas do Estadão, onde trabalha. Porém, o banner e os textos em seu blog são apenas uma opinião, não propaganda.
30 de maio de 2008, 21:29 | Comentários (4)
autopromoçãoAcompanhem amanhã, a partir das 18:00, um exemplo de como usar tecnologias da Web 2.0 para o jornalismo. Sou um dos coordenadores da Cyberfam e devo dizer que estou orgulhoso dos alunos que se propuseram a levar adiante essa empreitada. Segue o rilíze:
Maratona de 24 horas na Famecos discute uma década de jornalismo na internet
Para discutir o jornalismo praticado em uma década de internet, a Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS realizará durante 24 horas ininterruptas o evento “10/24 – Notícia não tem hora”. As atividades ocorrerão das 18h desta quarta-feira (28/5) até as 18h de quinta-feira com um duplo objetivo: integrar a programação do + SET (série de eventos preparatórios para o 21º SET Universitário) e comemorar os 10 anos de funcionamento da Cyberfam, a pioneira das revistas eletrônicas desenvolvidas em um estágio de jornalismo online no Brasil.
Pela primeira vez no país, ocorrerá uma transmissão em alta definição (HD) via internet. Tudo que ocorrer nesta maratona poderá ser acompanhado no site http://cyberfam.pucrs.br. No site, haverá links para teleconferências, bate-papo online e apresentação de imagens captadas por câmeras instaladas na Famecos. Ainda ocorrerá transmissão de aulas do curso de Jornalismo por celular.
Para marcar os 10 anos da Cyberfam, serão entrevistados professores e alunos que já trabalharam na publicação. Um time de profissionais que atuam em Porto Alegre e em outras cidades do Brasil, dos Estados Unidos e da China foi convidado para a discussão sobre o impacto da internet no jornalismo. Os vários debates e entrevistas planejados podem ser acompanhados pelo site da Cyberfam ou por meio de televisões de plasma instaladas no saguão da Famecos (Av. Ipiranga, 6.681, prédio 7 – Porto Alegre).
Profissionais que participarão das atividades:
Alexandre Matias – O Estado de São Paulo (SP)
Ana Brambilla – Editora Abril (São Paulo)
Analú Fischer – RBS Corporação (Porto Alegre)
Fabrizzia Cinel – webdesigner
Felipe Truda – ClicRBS (Porto Alegre)
Fernanda Morena – Correio do Povo e Comitê Olímpico Chinês (China)
John Pavlik – Universidade de New Jersey (EUA)
Juliano Schüler – ClicRBS (Porto Alegre)
Luísa Berlitz – Gullane Filmes (São Paulo)
Marina Wentzel – Correspondente da BBC (China)
Michele Iracet – Zerohora.com (Porto Alegre)
Militão de Maya Ricardo – professor
Núria Saldanha – Canal Rural (São Paulo)
Priscilla Oliveira – Agência Escala (Porto Alegre)
Renata Simões – Multishow (São Paulo)
Entrevistas
Mágda Cunha – diretora da Famecos
Cristiane Finger – coordenadora do curso de Jornalismo da Famecos
Gilberto Leal – professor da Famecos
Vitor Necchi – professor da Famecos
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