Comentários sarcásticos, crítica vitriólica e jornalismo a golpes de martelo por Marcelo Träsel


bolsas para acompanhar as eleições americanas

A embaixada dos Estados Unidos está oferecendo 20 vagas a estudantes brasileiros de ciências políticas, jornalismo ou relações internacionais em um programa na universidade da Carolina do Norte. Os selecionados ficarão lá de 25 de outubro a 8 de novembro, participando de cursos e seminários. Tudo por conta do governo americano.

Mais informações no site www.usembassyprograms.org.br. As inscrições vão até 14 de setembro.

15 de agosto de 2008, 10:44 | Comentários (2)

única cobertura relevante das olimpíadas

http://bronzebrasil2008.wordpress.com

14 de agosto de 2008, 17:18 | Comentários (1)

dois dias e contando

Parece que dessa vez o Large Hadron Collider realmente vai ser ligado. Há quem pense que ele pode criar um buraco negro e destruir a Terra, mas segundo estudos a chance de isso acontecer é inferior a 0,01% -- sendo reservado sempre aquele espacinho para uma falha nas teorias que garantem a segurança do projeto.

O mais legal na ciência é essa nonchalance em relação às conseqüências de seus atos. Cientistas são como crianças que destroem seus brinquedos para ver como funcionam. A primeira colisão de partículas no LHC pode destruir o mundo? Embora a possibilidade seja infinitesimal, pode. Enquanto qualquer cultura ficaria horrorizada ante a possibilidade de provocar os deuses, a tecnocultura ocidental faz o sinal da cruz para Einstein e dispara o feixe de prótons. Teller achava que o teste da primeira bomba atômica poderia causar a ignição da atmosfera e, conseqüentemente, uma morte bastante desagradável para todos os habitantes do planeta. Mas eles foram em frente!

Não me entendam mal: não sou contra o LHC, apenas não posso deixar de perceber a fé religiosa que alguns de nós têm na ciência, um traço bastante pitoresco da cultura greco-romana. Provavelmente os temores são bobagem, apesar de a coincidência de datas com o início das Olimpíadas dar um certo sabor de conspiração cósmica a tudo isso.

De fato, se o mundo acabasse, seria no mínimo algo interessante de se ver. Vamos todos morrer mesmo, por que não presenciar o segundo maior evento de todo o tempo-espaço? Você pode acompanhar aqui a contagem regressiva.

5 de agosto de 2008, 17:04 | Comentários (10)

análise de conteúdo do #rodaviva no twitter

Enviei um artigo sobre a cobertura do programa Roda Viva no serviço de microblog Twitter para o 6º Encontro da SBPJor. O que eu fiz foi uma análise de conteúdo sobre todas as ocorrências de #rodaviva no Twemes entre 16 de junho e 17 de julho. No total, foram 323 tweets, divididos nas seguintes categorias:

  • narração: textos cujo foco principal é relatar ações ocorridas dentro do estúdio ou as reações de telespectadores (mudar o canal, por exemplo);
  • comentário: opiniões a respeito das manifestações dos entrevistadores e/ou do entrevistado, links para páginas relacionadas ao tema, ou brincadeiras;
  • conversação: troca de mensagens entre usuários do Twitter sobre a entrevista;
  • institucional: atualizações com dados de serviço sobre o programa;
  • outros: textos que não puderam ser enquadrados nas outras categorias.

    O resultado está na tabela abaixo:

    tabela_twitter.jpg

    O fato de narração, conversação e comentário somarem quase 80% das manifestações comprova, a meu ver, que a cobertura é relevante. Como eu tentei mostrar em minha dissertação, o comentário adicionado pelo público aos conteúdos veiculados pela imprensa é um grande avanço para a democratização da comunicação, na medida em que pluraliza os pontos de vista necessariamente limitados pelas rotinas de produção das redações. No caso do programa em questão, o fornecimento de informações oriundas de outras fontes e questionamentos dos convidados e telespectadores permite melhor contextualizar os pontos abordados e corroborar ou colocar em xeque as declarações do entrevistado. Como sugerem os resultados, há também um diálogo entre os integrantes do público e desse público com a emissora.

    A conclusão é que se trata de um modelo que merece ser levado em conta pelas organizações, empresas e indivíduos preocupados em equilibrar a lógica emissor→receptor da televisão com uma lógica mais participativa através da Web – sobretudo no momento em que a TV digital resulta em um retumbante fracasso de adesão e maior ainda em termos de "interatividade". Por outro lado, o acesso à Internet fica mais pervasivo a cada ano, chegando a já a 34% da população, conforme o relatório do Cetic mais recente.

    O uso do Twitter consegue integrar a um programa de televisão as características de memória e interatividade, típicas do webjornalismo, e com isso reverter a atomização provocada pelos meios de massa, transformando a massa em rede social.

    Quando e se receber o aceite da SBPJor, publico aqui a íntegra do artigo. Agradecimentos ao Pedro Markun e à Isabel Colucci, que me responderam algumas perguntas.

    1 de agosto de 2008, 19:27 | Comentários (3)

    entrevista sobre o projeto de lei de cibercrimes

    O Arthur Puls, mais conhecido na Fabico por Sorin, fez uma entrevista comigo sobre o PLC 89/2003. Ele também entrou em contato com a assessoria do senador Eduardo Azeredo, que respondeu com algumas observações interessantes -- como não sei nada de Direito, não posso avaliá-las.

    Notem que dei a entrevista um dia após a aprovação do projeto, antes de ler a versão final do texto. Depois, mudei de idéia sobre algumas coisas.

    25 de julho de 2008, 18:12 | Comentários (0)

    nova corja tem estilo próprio

    Engraçado. Parece que, quanto mais eu reclamo da RBS, mais eles me procuram para dar entrevista. Enfim, aí está o vídeo da entrevista da Nova Corja para o programa Estilo Próprio, da Fernanda Zaffari. Aliás, devo dizer que achei o programa bastante bom e tive uma ótima impressão da entrevistadora, que se preparou bem para falar conosco e demonstrou interesse genuíno no assunto. Também comentei com ela que tenho lido o blog Estilo Próprio e considero um dos poucos no ClicRBS que de fato pode ser chamado de blog.

    23 de julho de 2008, 19:08 | Comentários (3)

    virei popstar

    Amanhã, às 8:00 da manhã, dou entrevista sobre a legislação eleitoral para a Internet na rádio Guaíba AM 720, no programa de ninguém menos que o homem, a lenda, Rogério Mendelski.

    Das 9:30 às 10:30, participo de um debate na rádio Bandeirantes AM 640 sobre o mesmo assunto, inclusive com o juiz do TRE Ricardo Hermann.

    22 de julho de 2008, 23:39 | Comentários (2)

    restrições do TSE à internet prejudicam a democracia

    A Zero Hora de hoje traz uma reportagem especial sobre as restrições impostas pelo TSE à campanha eleitoral na Internet. Contribuí com uma pequena entrevista sobre a campanha de Barack Obama, nos Estados Unidos. Há um resumo das restrições feito por Marciele Brum, uma entrevista com o juiz eleitoral Ricardo Hermann e uma coluna da Vanessa Nunes praticamente incitando a desobediência civil na Web.

    A verdade é que o Tribunal Superior Eleitoral demonstra ignorância sobre o funcionamento da Internet e, principalmente, sobre suas implicações sociais. Lendo a íntegra das orientações para a campanha, percebe-se que as regras para a Internet são muito vagas, limitando-se a regular o uso dos domínios .can.br e a equiparar a rede mundial de computadores com as emissoras de rádio e televisão, para fins jurídicos. Os problemas são os seguintes:

  • Ao contrário de rádio e televisão, a Internet não é uma concessão pública. Ou seja, ninguém precisa de autorização do governo para criar um site, postar um comentário num blog, divulgar um vídeo no YouTube, gravar um podcast. As emissoras de rádio e TV, por usarem um recurso escasso, que é o espectro eletromagnético, devem prestar contas ao governo e se pautar pelo interesse público. O espaço nas redes de computadores pode ser tudo, menos escasso. Portanto, o apoio de qualquer pessoa a um candidato não estará competindo pelo mesmo espaço com o interesse público. A equiparção com meios que usam comunicação via ondas eletromagnéticas não faz o menor sentido.

  • Mesmo que o TSE tivesse equiparado a Internet com jornais, a comparação ainda seria equivocada. Considero a regulação da atividade jornalística impressa durante as campanhas eleitorais um desserviço, porque o veículo é obrigado a dar o mesmo espaço tanto aos candidatos importantes quanto aos que só entram no pleito para aparecer. Os nanicos raramente oferecem tanto assunto quanto aqueles dos partidos maiores. O resultado é que em geral é preciso cortar espaço dos candidatos que a população realmente quer ouvir, para manter o equilíbrio. Além disso, a argumentação da concessão pública também se aplica: ninguém precisa de autorização para abrir um jornal ou revista. De qualquer modo, pode-se afirmar que os jornais contam com uma credibilidade maior, são os veículos oficiais da democracia, portanto devem seguir certas regras por exigência ética. OK, mas o mesmo não se aplica à Internet, onde qualquer pessoa com meia dúzia de reais para comprar algumas horas em uma lan house ou acesso a um telecentro pode publicar sua opinião. Se é para haver regras na Web, elas devem se aplicar somente às empresas de comunicação, não às pessoas físicas.

  • A falta de regulação mais específica cria insegurança jurídica para os candidatos. O TSE se furtou a definir regras claras para o uso da Internet e prometeu analisar caso a caso. O problema é que as multas são bastante pesadas, podendo chegar até acima de R$ 50 mil. Isso significa que os candidatos de partidos com maior poder econômico poderão se arriscar numa campanha mais ousada nas redes, porque se levarem multa terão como pagá-la. Já os candidatos nanicos, por não terem ao menos algumas indicações do pensamento do TSE, fatalmente irão se manter dentro do limite mais estrito da lei, realizando campanhas menos eficientes. O resultado será exatamente o contrário do objetivo da Lei Eleitoral, que é evitar o abuso de poder econômico.

  • O argumento de que liberar geral causaria abuso de poder econômico é o mais ignorante de todo esse debate. O juiz Hermann diz na entrevista que "quem tem mais recursos financeiros não pode povoar a internet em detrimento dos demais candidatos". Porém, a Internet é o único meio em que existe a possibilidade de fazer uma campanha totalmente gratuita, ou quase. É o meio que melhor evidencia o real apoio popular a um candidato. Um pretendente a vereador que consiga mobilizar seus eleitores a criar comunidades no Orkut, publicar vídeos da campanha no YouTube, listas e fóruns de discussão do Google, artigos e comentários em blogs, não estará tirando um centavo sequer do próprio bolso e terá uma presença melhor na Web do que um candidato que pague uma centena de capiaus para fazer spam em redes sociais e na blogosfera. Aliás, as estratégias baseadas em spam costumam ser desmascaradas em poucos segundos pela própria comunidade de usuários da rede. O princípio de auto-organização das redes sociais daria conta das distorções naturalmente.

  • Além de restringir a ação dos candidatos, a decisão do TSE pode emudecer a manifestação da opinião política dos cidadãos. Um blogueiro deverá pensar duas vezes antes de apoiar um candidato, porque o apoio poderá se voltar contra o candidato, caso um concorrente resolva reclamar ao Tribunal Eleitoral. Do mesmo modo, um militante que vá a um evento e porventura grave um vídeo no celular estará arriscando prejudicar seu candidato se divulgá-lo via YouTube. De novo, quem sai prejudicado são os candidatos com maior apoio popular. É uma distorção da democracia. O juiz Hermann apela ao princípio de igualdade, mas esquece que, em paralelo à igual oportunidade de acesso aos direitos políticos, é da democracia que os pontos de vista com maior apoio sobressaiam na esfera pública. Tanto é verdade que a própria Lei Eleitoral dá mais espaço no horário político em rádio e TV aos candidatos de partidos com maior representação no Congresso.

    Esses são apenas alguns defeitos da Lei Eleitoral imposta pelo TSE para esse pleito. Um detalhe: a reportagem pergunta ao juiz se apenas um promotor eleitoral em todo o Estado tem condições de fiscalizar. É ele o responsável por fazer denúncias ao TRE, os tribunais não podem dar início a ações judiciais. Pois em um seminário da PUCRS em junho o promotor Daniel Rubin deixou bem clara sua posição favorável à liberalidade da campanha na Internet e sugeriu que pretende fazer vista grossa ao que for considerado uso justo da rede, ainda que contrário às regras do TSE. Restará aos eleitores e partidos fazerem denúncias ao TRE gaúcho.

    No fim das contas, as novas regras acabam favorecendo justamente quem tem mais dinheiro para investir em um site de campanha. Publicação de vídeo e áudio, gerenciamento de comunidades e fóruns, aplicativos de galerias de fotos e de agenda, são todos sistemas complexos e que custam uma fortuna para implementar. Os candidatos mais ricos poderão contar com todas essas facilidades. Aqueles que não conseguem levantar tantos recursos para a campanha, no entanto, não poderão contar com os serviços gratuitos do YouTube, Orkut, Flickr, Google. Aqui vai uma dica a tais candidatos: o Ning oferece todos esses serviços e, por míseros US$ 5 ao mês, permite criar uma comunidade de usuários com possibilidade de uso de foto, vídeo, áudio, agenda etc. com um domínio próprio. É a melhor opção dentro da restrição a um site por candidato, porque reúne os principais tipos de serviços. Há uma versão em português, inclusive.

    22 de julho de 2008, 15:03 | Comentários (7)

    jornalismo impresso tenta recuperar o tempo perdido

    A Associação Mundial de Jornais lançou três anúncios cujo objetivo é reforçar a importância e a saúde do meio impresso. Parece que o prognóstico de morte feito pela The Economist soou o alarme entre as diretorias de jornais do mundo inteiro. Francamente, prefiro ficar com a avaliação da centenária revista britânica, em lugar da argumentação de uma associação tão importante que nunca teve um presidente de uma empresa relevante no jornalismo, como o New York Times ou The Guardian -- ou mesmo Folha de São Paulo. Abaixo, o anúncio mais argumentativo:

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    O artigo acima é cheio de falácias. A elas:

  • Duas das peças dizem que o jornal impresso atinge 1,6 bilhão de pessoas por dia, enquanto uma outra diz 1,4 bilhão.

  • O texto tem como principal argumento para a sobrevivência dos jornais o fato de que os diários mais importantes já têm uma presença na Web e são das indústrias que mais investem no meio digital. Inclusive, concorda que provavelmente no futuro o papel deixará de ser usado para distribuir notícias. Ou seja, sob certo ponto de vista o jornal realmente está desaparecendo.

  • Informa-se que o gasto com publicidade em jornais é muito mais alto do que os recursos investidos em publicidade na Internet. É verdade, mas isso ocorre porque os jornais cobram preços inflacionados -- com razão, aliás, porque ainda têm mais credibilidade do que qualquer outro meio --, enquanto a Internet oferece baixo custo devido à própria eficiência do meio digital. O uso de publicidade na Internet vem crescendo, enquanto a alocação de recursos para o jornal impresso vem caindo.

  • O artigo apela para a conveniência do meio impresso em comparação com o digital ou qualquer outro. Nesse ponto, além de ignorar o desenvolvimento tecnológico mais recente, como leitores de e-books e telefones móveis capazes de acessar a Web, extremamente convenientes, ainda comete diversos equívocos. Por exemplo: "O jornal tem liberdade de extensão, amplitude e profundidade, em conteúdo, reflexão e detalhe". Nenhum meio tem mais liberdade de extensão, amplitude e profundidade do que a Web, com seu espaço ilimitado. É uma questão de pura física.

    Bem, o próprio e tenebroso site da WAN já mostra que eles não compreendem muito bem a Internet. Não compreendem também o ponto principal: não é a Internet que está matando o jornal, mas o próprio abandono da qualidade promovido pelos mesmos diretores participantes da WAN, cuja primeira reação ao declínio comercial foi cortar postos de trabalho nas redações e apelar para notícias de "interesse humano" e distribuição de brindes.

    21 de julho de 2008, 14:08 | Comentários (3)

    maior problema real da capital são parques sem cerca

    Ou ao menos é isso que a Zero Hora deve pensar. Sempre suspeitei que o Paulo Sant'anna fosse um tipo de porta-voz da mentalidade dos altos escalões da RBS.

    "Vida real" é o nome de uma nova seção da cobertura de eleições do jornal. Trata-se de um "esforço para conhecer de fato a posição de candidatos sobre temas polêmicos da cidade que ocupam com freqüência as páginas da própria Zero Hora", conforme o diretor de redação. No texto de Marcelo Rech, se vê que as esperanças são grandes: "Um choque de vida real é do que precisam as campanhas eleitorais, não para atazanar a vida dos candidatos ou desmoralizá-los, mas porque não há nada mais saudável para a democracia do que a verdade, e homens e mulheres sem medo de sacrificar votos em nome de seus princípios e convicções."

    Aí o sujeito vai com toda avidez descobrir o que os candidatos pensam de problemas de verdade, como o trânsito péssimo da Terceira Perimetral, a falta de informação nos pontos de ônibus, o deprimente estado da maioria dos aparelhos públicos, a ausência de conexão à Internet em muitas escolas, o retalhamento e desrespeito ao plano diretor da capital, os camelôs que atrapalham a circulação de pedestres no Centro etc. etc. etc. Encontra o quê? Uma discussão sobre o cercamento de parques, proposta que só o esclerosado Paulo Sant'anna tem defendido. Nada contra abordar essa questão na "vida real", se restasse espaço, mas a realidade da vida em Porto Alegre realmente não oferecia NENHUM assunto mais relevante para a estréia da seção?

    No mais, é realmente uma lástima que o jornal mais importante do Estado não queira atazanar ou desmoralizar candidatos a cargos eletivos. Prestaria um serviço muito melhor aos leitores que precisam decidir em quem votar.

    ATUALIZAÇÃO: Pronto, já apareceu um aproveitador para fazer marola com essa baboseira de cercamento de parques. Enquanto se discute isso, os problemas reais da administração Fogaça saem de cena.

    14 de julho de 2008, 1:22 | Comentários (9)



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