E o alemão Joseph Ratzinger é o novo papa, Bento XVI. Na televisão e sites, junto com a notícia estão os comentários de seu ultra-conservadorismo. Os padres que comentam a posse na Rede Vida se preocupam em dizer aos seus fiéis telespectadores que não critiquem esse papa, que o recebam com os corações abertos e rezem por ele.
É uma preocupação que mostra a distância cada vez maior da igreja com a sociedade. Distância que só tende a aumentar. Parece ser natural que o papel da igreja perca sua importância no mundo moderno. Difícil é entender de onde surgem as críticas ao conservadorismo de Ratzinger e de sua igreja. Qualquer papa que fosse eleito iria manter a posição de João Paulo II. Nenhum padre, bispo ou pastor chegará a ser a favor de questões como aborto, eutanásia ou união de homossexuais. Por que querem que eles sejam a favor disso? Não vai acontecer. Seria ir contra a própria palavra de Deus, de toda a doutrina e fundamentos do catolicismo.
A preocupação dos padres da Rede Vida mostra também que nunca foi tão difícil praticar o catolicismo. Ao mesmo tempo, é admirável que a igreja não mude seus princípios por causa da crescente perda de fiéis. Algumas religiões orientais acreditam que vale mais um praticante bom do que cem mil ruins, e por isso não perdem tempo preocupando em adquirir mais fiéis. Parece ser a posição do Vaticano. Quem escolher ser católico hoje, que siga a doutrina sem reclamar das dificuldades. Se não, é aprender a relaxar com a idéia de ir pro inferno e até lá aproveitar as felicidades desse mundo, que não são poucas.