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A morte incentiva a vida

A Companhia das Letras lança hoje o novo livro do José Saramago, Intermitências da Morte. Me interessou. No universo impossível criado no livro, acontece que em um país da morte deixa de existir. Ninguém mais morre e a vida se torna eterna. O que a princípio parece ser uma ótima notícia, com o tempo se mostra um enorme problema para o governo, igreja, e todo tipo de instituição do país. Ubiratan Brasil no Caderno2 diz que esse é o livro mais divertido do mau humorado Saramago.

O tema em si já é muito rico e interessante. Apesar da morte ser a responsável por nos causar o mais triste de todos os sentimentos, imaginar a sua ausência é capaz de ser igualmente desesperador. Só não é porque não acontece. Ao de pensar por um breve momento sobre o fim da morte, percebe-se que morreria junto toda beleza que existe na vida humana. Abre parênteses. Da mesma forma que tudo perderia a graça se conseguíssemos transmitir com perfeição nossas idéias e sentimentos. Fecha parênteses.

Só pela ambivalência do tema carrega parece difícil que Intermitências da Morte não seja muito bom. Ah, ia me esquecendo. Na segunda metade do livro, quando a sociedade começa a se acostumar com a ausência da morte, ela reaparece. Volta mandando bilhetes pra quem vai morrer dizendo que lhe restam apebas sete dias. E o caos volta a reinar. Divertido, divertido.