Filho de um parente do meu pai. Acabando doutorado, capotou o carro com o orientador que ainda não sabe que seu orientando morreu. Daí o carro da funerária levava o corpo já vestido de caixão para a cidade em que seria o enterro e capota também. Caixão espatifado. Ele pior do que já estava. Caixão fechado.
Irmão de um amigo do meu pai. Exagerava, bebia, comia, fumava demais, coração largou mão. Sua mulher, mãe, tinha perdido o filho há pouco tempo. Definhava faz tempos, viciado em drogas, pegou aids injetando. Aids o filho e coração o marido. Agora é ela. Depois que passar um tempo, sua vida vai melhorar ou piorar? Não é impossível que melhore, já vi acontecer. Se ainda existir algo nela. Deixa de existir?
Descendo pra casa, o semárofo avermelhado me lembra de sangue e Zequinha e Magrinho dobram a esquina. “Ué, ainda está vivo, cidadão?” Vejo a calça branca do magrinho, “Essa calça era daquele cara esfaqueado na Cohab”, brinco. Ele ri e o sinal abre. Ele solta a praga rápida: “Você vai capotar esse carro e vai morrer.” Morro de rir.
Telefone de casa toca, notícia da minha vó, meu pai fica sério e o vulto da morte deforma nossos rostos. Era só diarréia. Uma vez só. Fui lá, ela estava bem, corada, toda arrumadinha. “Tem bolo no forninho, vai comer”. Pego um pedaço e volto pra sala. Ela fica pensativa me olhando...................até que perde a vergonha: “Se eu te der dinheiro você vai comprar um picolé de fruta pra mim?”