Philip Roth disse certa vez que a arte da personificação é o dom mais fundamental da escrita. Aquilo em que na arte do romance consiste em estar presente e ausente, aquela em que uma pessoa seja simultaneamente ela mesma e uma outra. Isso soa absolutamente verdadeiro para mim. Não gosto da idéia de criar um personagem que suspeitamente se pareça comigo. Eu me sentiria presa pela estreiteza da veracidade, por ter de me conformar com certa versão da realidade. Estou interessada na alegria pura e na liberdade de realizar algo novo. Imaginar e inventar, além de expressar algo sobre mim da forma mais forte que puder. Por outro lado, se eu tivesse de criar um personagem que não se parecesse emocional e psicologicamente comigo, eu teria dificuldade em torná-lo autêntico e vivo. Assim, o ideal seria encontrar o equilíbrio entre autobiografia e invenção. Talvez seja algo semelhante à diferença entre pintura figurativa e abstrata. Usando as vozes de Leo e Alma, consegui escrever sobre uma variedade de sensações muito familiares, uma forma de observar o universo de um jeito em que ambos fossem mais vívidos e poderosos do que se eu tivesse tentado fazer uma caracterização biográfica.
Trecho da entrevista da Nicole Krauss para o Estadão. A Companhia das Letras acaba de lançar seu romance "A História de Amor". Nicole é a mina do Jonathan Safran Foer, juntos fazem parte da melhor safra de novos autores americanos. O casal já é presença garantida na FLIP desse ano. Pelas várias vozes diferentes, "A História de Amor" parece deveras interessante. Acho que comprarei.